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Sem uso de multissítios, próxima safra de soja está desprotegida da ferrugem

6 de abril de 2017

Orientação é de que as lavouras recebam, já na primeira aplicação, ainda no estágio vegetativo, o fungicida protetor. Comunidade científica afirma que aplicações sem os multissítios não protegem as plantações da incidência da doença. É irresponsável a recomendação aplicações seguidas de produto com sítio específico.

Confira entrevista com Carlos Pellicer, CEO da UPL:

A resistência da ferrugem da soja segue como o principal problema a ser discutido pela comunidade científica do setor. Pesquisadores afirmam quem as aplicações sem os produtos multissítio não garantem um controle quase completo da doença.

“A performance dos produtos de sítio específico – estrubirulinas, triazois e as carboxamidas – vêm caindo de forma dramática ano a ano, alguns chegaram a 5%, sendo que o nível de controle desejado é de 80%. A maioria dos produtos está com performance abaixo de 60%, alguns em 40%. Os produtores estão pagando um preço muito alto por uma performance muito baixa”, diz o CEO da UPL, Carlos Pellicer.

O uso de produtos com sítio específico têm enfrentado, há algumas safras, uma severa resistência do fungo causador da doença, característica que não tem sido observadas nos multissítios, ou nos fungicidas protetores.

Dessa forma, já é consenso entre a comunidade científica que as aplicações de fungicidas sem os multissítios não são suficientes para proteger integralmente as lavouras. Inclusive, Pellicer lembra que as plantações precisam receber, já na primeira aplicação, no estágio vegetativo, os defensivos protetores. A próxima safra de soja, portanto, só estaria protegida com o uso dos multissítios.

O objetivo dos pesquisadores têm sido, portanto, o de conscientizar os produtores brasileiros de técnicas com esta. Para isso, as novas tecnologias propostas pela UPL são a de trazer misturas triplas que já tragam os protetores adicionados aos fungicidas. São moléculas já antigas, mas com uma nova e maior capacidade.

De acordo com o CEO da UPL, o governo e o Ministério da Agricultura conhecem a atual situação de incidênciada ferrugem e a mais importante ação neste momento é de que as empresas recomendem corretamente o uso de seus produtos. “É difícil de acreditar que ainda há empresas que recomendem produto de sítio específico sobre produto de sítio específico. Além de comprar um produto que não resolve o problema, e pagando por aquilo, ainda existe a recomendação de que se aplique um produto de sítio específico – que aumenta a resistência – e depois novamente sem um protetor junto. Isso é uma atitude irresponsável”, diz.

Pellicer lembra ainda que a sustentabilidade da cultura da soja no Brasil passa pelo controle rigoroso e contínuo da ferrugem, já que seus efeitos podem causar prejuízos, inclusive financeiro, bastante severos.

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