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Mulheres no Mundo AGRO

UPL
21 de December

O 1º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio aconteceu nos dias 25 e 26 de outubro no Centro de Convenções do Transamérica Expo Center. Este momento foi a culminância de uma pesquisa realizada com 301 mulheres com o tema “Mulheres no Agronegócio Brasileiro”.

A pesquisa foi contextualizada num cenário que coloca a maioria feminina como líder de famílias agrícolas em relação às mulheres que vivem na cidade. Os dados mostram que 42,4% das famílias do campo são liderada por mulheres, contra 40,7% dos núcleos familiares urbanos (Fonte: Comitê de Mulheres da FARSUL).

Os resultados mostraram que o perfil do agronegócio está mudando, pois, a participação das mulheres no comando de propriedades rurais, sejam elas pequenas estâncias familiares ou gigantes da agroindústria, cresceu. O que ficou evidente é que as mulheres são mais abertas às inovações e têm um modo menos burocrático de administrar. E no campo, são maioria.

A diretora de Market Intelligence na Fran6, Adélia Franceschini, e autora da pesquisa, diz que a procura por novas tecnologias e interatividade para troca de informações entre as mulheres do agronegócio cresceu nos últimos anos. Segundo ela: “A mulher tem o perfil de perguntar mais e não têm medo de pedir ajuda quando necessário.”

Mulheres no agronegócio e a independência financeira

Só para visualizar o que isso representa em números, o estudo revelou que 88% das mulheres do agronegócio são independentes financeiramente e mais de 50% delas possui nível superior.

Dentre as mulheres pesquisadas ficou evidente a necessidade delas provarem competência no mercado de trabalho ou mesmo para a família ao assumirem o comando de uma propriedade rural, recebida por herança. Para eles o mercado está pronto, de braços abertos e sem grandes questionamentos, ou seja há estabilidade nos cargos. Vem daí essa porcentagem crescente de Mulheres do Agronegócio com nível superior e a caminho da pós-graduação.

Outra diferença apontada pela pesquisa é a preocupação da mãe e gestora do agronegócio da família estar centrada na sucessão. Mulheres tendem a pensar no futuro dos negócios desde cedo, por isso, 61% delas capacitam um ou mais filhos, para a “lida na roça” ou a gestão de agroindústria da família. No mais as preocupações da mulher do agronegócio são basicamente as mesmas de um homem: comercialização, aquisição de máquinas e insumos e a gestão do negócio em si.

“Muitas mulheres não têm coragem de assumir a gestão. Há um pouco de timidez neste sentido”, aponta Franceschini. E com toda razão, porque o estudo demonstrou que 71% das mulheres pesquisadas relataram ter sido vítimas de machismo no campo e muitas delas, mesmo exercendo funções importantes, não se consideram líderes nas suas propriedades.

Esse dado nos leva diretamente a outro ponto da pesquisa: O que diz que somente 12,7% das mulheres ocupam cargos de liderança, enquanto que 87,3% desses cargos são ocupados por homens.

A Diretora de Assuntos Corporativos da Dow AgroSciences Brasil Marilene Iamauti, credita essa mínima presença feminina nos cargos de liderança à falta de divisão das tarefas domésticas, porque, segundo ela: “É muito mais fácil para um homem fazer um networking fora do horário de trabalho, pois nem todos precisam buscar os filhos na escola no final do dia”.

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